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terça-feira, 22 de julho de 2014

Inovação

Professor Cristoph Grimp da Copenhagen Business School

Recall de conceitos

Após uma consulta aos membros do curso sobre o sentido e o conceito de inovação, bem como os obstáculos,  o professor também faz um recall de conceitos, ressaltando a inovação, de produto ou processo, como uma coisa multifacetada, difícil de identificar e reforçando que inovação deve estar ligada à percepção de valor do cliente.

Estamos falando de um resultado, um produto novo, um novo processo, uma empresa nova, para um mercado menor ou maior. Se a UPS cria um novo serviço de distribuição, vemos a inovação de produto, que permite aos clientes inovar em seus processos. Seria uma inovação ambivalente.

Inovação para uma empresa pode não ser inovação para o mercado. Nesse caso, muito presente no dia a dia dos pequenos negócios, estamos falando de inovações incrementais. Já as inovações radicais mudam o mercado. Vide o caso da fotografia digital.A depender da perspectiva, enquadramos a inovação como um ou outro tipo. A inovação por destruição de competências faz com que outras saiam do mercado, como foi o caso da Polaroid, que está contra-atacando e voltando com fotografias digitais e instantâneas.

Outras formas de inovação também são abordadas nessa introdução.; A Inovação Arquitetônica, como a reconfiguração de um produto estabelecido e a Inovação de Componente, que representa a introdução de novos conceitos fundamentais incluindo novos componentes na arquitetura de um produto.

O conceito de funil de inovação envolve a abertura para várias ideias, dadas até mesmo informalmente, que levam a pequenos desenvolvimentos e a efetiva seleção das melhores, até que se chegue naquela(s) que vão para o mercado.Vale ressaltar que a maioria das ideias não dá certo.

O risco na inovação sempre existe e é prevalente. São riscos tecnológicos (design não funciona, por exemplo), de mercado (clientes não adotam), financeiros (custos podem explodir antes do retorno), legais (navegar por meio das regras de patentes) e temporais (inovação atrás de outras empresas). O Gillette Mach3 teve um investimento de U$ 750 milhões em 6 anos, com 22 patentes registradas. Tudo isso para um produto aparentemente simples, sujeito a todos os riscos acima e uma competição extremada.;

E empreendedorismo e inovação andam bem juntas, já que os empreendedores precisam convencer seus clientes a pagar por algo que tenha percepção de valor para eles. Esse é o foco de qualquer empresa.Não podemos garantir que, em sendo inovadora, uma empresa será bem sucedida, mas com certeza o caminho será mais fácil.

Modelos de inovação

Technology Push
Ciência/Design/Produção/Marketing/Venda
Aqui temos o iPad como exemplo. Ninguém sabia que precisaria de um aparelho como esse. Os clientes não sabiam como formular essa demanda.

Demand Pull
Demanda/Desenvolvimento/Produção/Vendas
Aviões de médio e pequeno porte, projetados para rotas mais curtas. Essa foi a visão da Embraer, a partir da demanda de companhias aéreas.




Como a pequena empresa é sempre pressionada nos seus custos quando está numa cadeia de valor, a inovação surge como requisito fundamental para sua sobrevivência. As pequenas empresas são muito melhores em comercializar as inovações de produto pois podem se mover mais rapidamente nos novos mercados e oferecer serviços mais customizados a segmentos bem identificados.

Pequenos negócios na União Européia

A Estratégia de Lisboa. que se iniciou em 2000, previa 3% do PIB investido na inovação, com vistas ao conseqüente aumento de emprego. A partir daí a Europa teve sete programas de inovação tecnológica. Hoje, o principal instrumento é o Horizon 2020, que tem na inclusão de pequenas empresas um ponto forte. O Comitê Europeu de Padronização define padrões para a gestão de inovação.

Também há outras medidas que vêm sendo tomadas. O Small Business Act/2008, melhor educação e treinamento, pagamentos públicos feitos em até 30 dias, foco em eco inovação e eficiência energética, além de fomento à criatividade.

As certificações são planos de como determinadas coisas devem ser feitas de maneira ideal. Ajudam muito nos processos de inovação.

Pesquisa organizacional

Predominantemente refere-se a fontes externas de inovação a que uma pequena empresa pode acessar. Ideias, soluções para problemas, recursos, tecnologias, etc.

Como uma pequena empresa pode viabilizar investimentos em P&D? Como se daria uma pesquisa local?Trocar ideias com alguém que não conhece surte sempre mais efeitos do que limitar sua comunicação às mesmas pessoas sempre. E muitas vezes nem precisa ser no pequeno círculo de convivência. Ao expandir essa fronteira organizacional muitas oportunidades aparecem. E na maioria das vezes o staff das pequenas empresas é muito limitado. Buscar informações e conhecimento com fornecedores recorrentes/eventuais/possíveis, concorrentes, investidores, clientes.

Um exemplo interessante dado foi a similaridade entre a assepsia de ambientes cirúrgicos e a produção de chips. As descobertas, e os problemas, de um podem tranquilamente valer para o outro. São um ótimo exemplo de busca organizacional.

A P&G é famosa nesse contexto. Foi um dos primeiros a implementar a "inovação aberta". Os processos de inovação são abertos, com olhares para outras companhias, universidades, etc., sempre buscando analogias para resolver seus problemas. Com isso, a P&G definiu que 50% da sua inovação viria de fora. O oposto disso é a inovação em funil, abordada anteriormente.

Outro exemplo de inovação aberta é a LEGO, que permite que pequenas empresas entrem no processo colaborativo. Inovação aberta é uma grande oportunidade para pequenos negócios participar de cadeias de inovação.

Porque é importante abrir os processos de inovação?

- Custos menores e tempo mais reduzido.
- Maior número de soluções
- Sucesso maior

Quais são as melhores fontes de conhecimento externo?

- Usuários líderes
- Clientes
- Padrões internos da empresa
- Fornecedores
- Universidade
- Clientes dos concorrentes
- Concorrentes

Consultorias tem baixa relevância.

InnoCentive

Há também os intermediários de inovação. Como exemplo, o InnoCentive é um mercado, onde as pequenas empresas colocam problemas específicos para potenciais solucionadores de problemas, que podem ser qualquer um. Ao prover a solução, esses solucionadores recebem um pagamento/recompensa. A taxa de sucesso é 30%, o que pode ser considerada uma boa taxa. Em média paga U$ 30,000 e os solucionadores trabalham em média 70 horas.

As universidades são uma fonte importante na Europa, ao contrário do Brasil. A universidade fica com as patentes desenvolvidas. Elas tem know how e infra-estrutura e minoram os custos empresariais.

Um terceiro modelo de inovação pode derivar da pressão da concorrência, no entanto, pode ser agrupado com o modelo de inovação pressionado pela demanda, principalmente nos processos de inovação incremental. Se fosse uma  inovação radical, não comportaria cópia e aprendizado tão rápido pela concorrência.

A inovação derivada das redes tem muito potencial. Foi citado o case da "Quilts of Denmark", uma companhia dinamarquesa que produz têxteis para cama. Ao invés de guerra por preço partiram para inovação estabelecendo relações bem claras com institutos ligados ao sono. A Quilts tentava compreender o lado médico da questão e identificou que a variação da temperatura afetava a noite de sono. A temperatura amena e constante era fundamental. Foram aos engenheiros da NASA, que lidavam com os materiais dos astronautas e criaram travesseiros e roupas de cama inovadores.

Como as diferenças culturais são contempladas na Europa?

Há uma grande política da UE para nivelamento dessas diferenças e melhoria das diferenças socioeconômicas. A UE investiu muito nas últimas décadas nesses programas, mas no fim há a indagação se a melhora seria sustentável. Além da distribuição de dinheiro haveria de existir uma rede de empresas bem sucedidas gerando um ciclo econômico que melhora a vida das pessoas num médio/longo prazo. Ainda está em aberto se isso será bem sucedido.

Como experimentar a inovação diariamente?

Case da AMBISIG, empresa de serviços integrados em Portugal. Tem colocado muita ênfase nas ideias dos empregados. São uma empresa de consultoria de monitoramento e gerenciamento de infra-estrutura. Definiram que todos os colaboradores são responsáveis pela inovação. Eles tem uma programação para reunir os empregados e deixar a discussão fluir. Depois existe a possibilidade de registrar essas ideias na intranet da empresa. Por fim, os indicadores de desempenho estão atrelados à essa gestão de ideias.




O registro de marcas e patentes, bem como outras formas de proteção intelectual, também é complexo na Europa, tem custo elevado e muitas vezes exige a ajuda especialistas. Não há apoio direto para os pequenos negócios, mas há programas como o Horizon 2020, que são medidas indiretas que acabam ajudando.

domingo, 22 de setembro de 2013

Case Activia Danone


A história desse alimento funcional começa na década de 80, quando pesquisadores e cientistas da Danone deram início ao trabalho que levaria à sua criação, num início da tendência dos alimentos funcionais na Europa. Nessa linha, desenvolveram um iogurte, que, além de cálcio, proteína, e as bactérias Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilos, encontradas em iogurtes tradicionais, trazia na sua formulação o DanRegularis (nome para o probiótico Bífidobacterium animalis DN173010), um bacilo que melhorava a velocidade do trânsito intestinal em até 40% se consumido diariamente. Comprovado cientificamente por 17 estudos,o DanRegularis era capaz de sobreviver ao processo digestivo e chegar vivo grande escala ao intestino para ajudar a regular seu funcionamento.


No Brasil, a Danone vinha de vários anos de prejuízos em 2003/04 e o segmento de iogurtes vinha em declínio e tinha pouquíssimo valor agregado, além de poucas variações. Se não houvesse uma guinada, iriam fechar a operação brasileira.



Identificaram o problema do intestino preguiçoso, que atinge 2/3 das mulheres brasileiras, afetando seu humor, seu trabalho, dando muito impacto negativo na vida delas. A partir dessa visão, trataram esse desafio não como problemaxsolução e sim como uma causa social.

Com isso, o Activia foi lançado no Brasil em 2004, com um filme publicitário que não funcionou, por não gerar identificação com o público alvo. Daí optaram por papo de amigas, horizontal e sincero, com consumidoras reais, sem tabus.

Em 2006 foi pioneira em money back. Quinze dias com Activia sem melhorar o intestino, dinheiro de volta. Também inovou em usar celebridades próximas à vida real, crível.

Transformou um problema em uma causa social + ciência robusta+credibilidade+artista+demo.

Mudou como as pessoas enxergavam iogurtes e também como enxergavam os problemas intestinais. Em 2010 Activia é o 3º produto mais utilizado para transito lento, atrás de legumes e frutas apenas e superando em muito os laxantes.

Hoje, no Brasil, 37 potinhos de Activia são consumidos por segundo e representam 30% do faturamento atual da Danone.

Demorou um ano para começar a dar os resultados e consumiu 80% da verba de marketing por alguns anos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Visão sistêmica da inovação



Aula do professor Anderson Rossi

Iniciando com uma alusão a Peter Drucker, o professor afirma "Para toda empresa e negócios a inovação é uma competência essencial. Opção estratégica."

Nessa linha, 100% dos executivos falam que realmente a inovação é estratégica pra os negócios que dirigem. Mas quantos conseguem criar processos, ambientes e estruturas para inovar? Apenas entre 15 a 20%, pelas pesquisas do professor.

É trabalho árduo, sem fórmula única. Temos que errar, correr riscos. Essa é a razão para matar tantas ideias e capacidades inovadoras. O medo de errar e correr riscos. Além disso, a falta de mecanismos e ferramentas para captar a geração de ideias e a falta de tempo (ou o excesso de demandas burocráticas) também prejudicam muito a intenção de inovar.

Brasil caminha a passos tímidos nessa área.

Há uma banalização do termo inovação (ver Fábio Gandour). Inovações efêmeras são facilmente copiadas, perdem valor rapidamente. É importante fazer a análise de acordo com os negócios envolvidos. A inovação tem que dar resultado no final do dia, agregar valor.

Com tecnologia, capital e pessoas adequadas não há problemas que não possam ser resolvidos (ver livro Abundância-O futuro é melhor do que você imagina, de Steven Kotler, Peter H. Diamandis, disponível AQUI). A inovação deve ser exponencial, fazendo o resultado chegar a mais pessoas, por custos menores. As inovações disruptivas serão responsáveis por isso. Empreendedores sociais são fundamentais na resolução de problemas sociais (saúde, saneamento, habitação...). Com tudo isso, o autor espera a migração da inovação linear para a exponencial e desta para a global. Clique para ir ao Abundance Hub - About The Book Abundance - And More, no Youtube.

Com a disrupção e o modelo exponencial ocorre a desmonetização a democratização. Vide iTunes, Skype, Google e WhatsApp. Acesso e inclusão de quem não consumia.

80% das inovações mundiais são incrementais e 20% exponenciais (disruptivas).

Alguns questionamentos:
  • ·         A sua empresa é uma organização inovadora?
  • ·         Vc consegue descrever o processo de inovação de sua empresa?
  • ·         Você acredita que a direção considera cada colaborador um inovador em potencial?
  • ·         Qual a importância da inovação em sua avaliação de desempenho e remuneração?


Desafio - Desburocratizar, tirar os ruídos, criar os canais para inovação com certeza transforma o negócio. A inovação só ocorre plenamente quando disseminada por toda a empresa. É importante remunerar e recompensar as inovações, mas não só para quem dá a ideia. Também para quem implementa e dá concretude a ela.

Vale apostar em cestas estratégicas: Hoje (incremental), amanhã (ousando um pouco) e futuro (radicalizar).

A ideia não poda andar descasada da implementação e muito menos do resultado. E de preferência sob um processo simples, que todos saibam explicar (Como dar a ideia, como é reconhecido, quem a leva adiante...)

Por que ainda se inova tão pouco no Brasil? Desafios e como enfrentá-los:

  • Falta definir exatamente do que estamos falando;

               É o processo de transformar novas ideias em fins produtivos (Rosabeth Moss Kanter)
               Processo para a geração de dinheiro novo (Clemente Nóbrega)
              Qualquer projeto que novo para você e que tenha o resultado incerto (Govindarajan & Trimble)
  • Faltam método, ferramentas;
  • Só pessoas especiais podem inovar (bobagem);
  • Viés da tecnologia, pouco se falando de modelos de negócios e resultados;(boas inovações que revisem o modelo de negócio da empresa)
  • Choque educacional. Não formamos empreendedores (empreendedorismo no sentido de criatividade e engajamento)
  • Não há a cobrança pela inovação. Cobrar, mas com condições.
  • Antecipar o futuro, sair à frente dos concorrentes.
  • Baixa interação com universidades
  • Políticas de fomento e financiamento deficientes


O que o inovador tem? Características que aparecem em qualquer bom processo de inovação.

  • Capacidade de associação de conceito e informações;
  • Capacidade de questionamento, de incomodar;
  • Capacidade de observação;
  • Experimentação;
  • Network/rede.


Visão sistêmica da inovação

Como olhar as engrenagens da minha empresa, fazendo com que elas gerem um resultado para  minha empresa no final do dia.

Cultura e valores/Pessoas/Liderança e estrutura/Ferramentas e processos.

Dá pra descomplicar e mostrar que essas engrenagens funcionam juntas.

Referências de crowdsourcing e open inovation.  Traga o mundo para dentro da sua empresa com Crowdsourcing.  Também traz o engajamento dos consumidores às marcas:


Como inovar mais:

  • Desafiar as ortodoxias;
  • Entender as descontinuidades e sinais fracos do mercado.Começar com mega tendências;
  • Alavancar competências e qualidades estratégicas. Reorganizar a gestão da empresa destacando as competências;
  • Se colocar no lugar dos clientes. Entender necessidades não articuladas.